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Um coração malvado

Entre mim e o meu coração existem sempre divergências. Tenho um coração muito intenso, que sente tudo ao milímetro. E com ideias próprias. Com vontade própria. Só faz o que quer. É um órgão fundamental mas muito difícil de gerir. A normalidade dos corações cumpre a suas funções no corpo e na alma e as pessoas levam a vida para a frente. O meu coração é tudo menos normal. Anda sempre num desassossego. E consegue acertar sempre ao lado do que poderia ser um bom caminho para uma vida mais descansada. Neste momento estou em luta com o meu coração. É uma luta latente, que pouco se nota. É cozinhada a banho-maria. Vou aguentando, aguentando, aguentando até explodir. Até não ser capaz de aguentar mais. Bem sei que os meus limites têm dilatado com a idade. Com a experiência de vida. Com a paciência que vamos aprendendo a ter ao longo do caminho. Mas não sei quando chegarei ao ponto de não haver retorno. De não ser capaz de aguentar as tropelias todas que o meu coração inventa. Entre mim e...

Desespero e paz de espírito

E sta tem sido uma semana emocionalmente muito difícil. Lidei de perto com o desespero de alguém que eu adoro. Mais uma vez fui confrontada com o facto de todas as palavras do mundo e que todo o amor, podem não ser suficientes para salvar uma pessoa. Mais uma vez confrontada com a impotência. Mais uma vez experiencio uma situação próxima em que aquilo que são as preocupações, os medos e as angústias são mais fortes que as coisas boas, que as razões para viver, que o amor, que a própria vida. Quando esta balança interna se desequilibra para o lado negativo, o perigo aparece. Quando nos deixamos avassalar pelos problemas, damos-lhe força. Quando pensamos sozinhos, colocamo-nos sempre do lado do problema em vez de estarmos ao lado da solução. A partilha é meio caminho andado para a solução. O desespero instala-se no peito quando os gritos ficam encravados na garganta e não desencravam. Voltam para dentro, com mais fúria e com mais força. O desespero instala-se quando alimentamos os papõe...

Perspetivas

Há uma estrada que vamos seguindo e onde se encontram todos os cruzamentos e todos os caminhos alternativos. Parece-me que quando nascemos trazemos este caminho original que nos vai fazer passar por determinados pontos onde se recolhem determinadas aprendizagens. Assim como quem acumula pontuação para o evoluir da alma. Sei que é assim. Combinamos estas coisinhas todas com o Céu antes de virmos cá para este lado. A maçada é que não nos lembramos de nada…E então, muitas vezes, desviamo-nos do caminho original. Em vez de seguirmos pelo melhor e menos tortuoso, escolhemos caminhos alternativos, sinuosos, com muitas curvas e precipícios e que nos causam muito sofrimento. Usamos a nossa cabeça, a tal que é formatada apenas pela vida, pela racionalidade, pela causalidade, pela sociedade e pelos instintos de sobrevivência e de pertença. Esquecemos que a bagagem divina que trazemos do Céu, quando nascemos, vem toda no nosso coração. E é nele que guardamos as memórias do nosso caminho original...