Desistir. E se desistir for o contrário de existir? Quando dói demais da conta, apetece desistir. Apetece que a dor desapareça. Qualquer coisa que se prefixe com "des", parece uma boa alternativa para a fazer evaporar. A dor é a sensação mais teimosa que existe no nosso coração. Teimosa! Insiste! Até à exaustão! Até ao suplício! E quanto mais educados formos, mais ela se ri na nossa cara. Irónica, satírica e insuportável de arrogante! Se pedimos delicadamente que saia, bate o pé e, caprichosa, deixa-se ficar. Se lhe damos uma ordem, ela, só de má e porque sim, faz exatamente o contrário e instala-se de armas e bagagens! Não vejo alternativa senão desistir. Deixá-la doer até se cansar. Fazer do meu coração a sua casa, a sua morada enquanto lhe aprouver. Enquanto lhe der na real gana. E a dor é, de facto, realeza. Não acata ordens de ninguém e é ela que comanda as tropas. Mais austera ou mais branda, mais ditadora ou mais democrata - depende como ac...
(magdalagabriel.gotasdalma@gmail.com)