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Mensagens

A mostrar mensagens de Julho, 2016

Rosa de Jericó

Se eu fosse uma pessoa delicada, hoje diria que me sinto como uma flor murcha a quem vão caindo as petalazinhas, uma atrás da outra. Mas como não sou delicada, não sei bem que comparação hei-de fazer. Mas a ideia é esta. Sinto-me a ficar murchinha. Vou murchando de dia para dia. Quando estou numa daquelas fases da vida um bocadinho difíceis, a saborear a impotência, a gerir a perseverança e o cansaço, o melhor que consigo fazer é andar um bocadinho murcha. Eu sei que tudo o que nos acontece tem um propósito e o que está no nosso caminho é sempre provido de sentido e de significância. Eu sei disto tudo. E esforço-me imenso para ser grata ao Céu por todas as experiências que me proporciona. E sei também que o Universo conspira a nosso favor. Mas a gestão que se tem que fazer entre o saber e o sentir é difícil. As experiências e as vivências trazem as suas chamuscadelas. Eu estou tão chamuscadinha que já nem preciso de ir à praia para me bronzear! Na verdade, é o coração que fica com que…

As linhas que nos prendem

As incoerências são como linhas assimétricas que supostamente devem manter um qualquer equilíbrio. Quando se é o 8 e o 80 em simultâneo, não há simetria nem equilíbrio que consiga resistir. Sinto-me presa por linhas que não compreendo. São linhas transparentes, de confiança. A confiança é o material mais resistente que existe para se fazerem linhas que ligam as pessoas. Dizendo melhor, que ligam os corações das pessoas. Confiar no coração de uma pessoa é a maior forma de confiança que existe. Por vezes não se confia nas cabeças nem nas palavras mas confia-se no coração. É uma bênção e uma maldição, esta espécie de confiança, feita de linhas transparentes. As tais linhas muito, muito fortes. São linhas que não nos deixam desistir, não nos deixam largar. Prendem e prendem mesmo quando achamos que já não aguentamos mais. De assimétricas que são, estas linhas, são incoerentes. Não entendemos porque repuxam e arrepanham de um lado e ficam laças de outro. Num lado apertam muito e no outro d…

Os olhos da alma

Existem olhares que matam. Não matam a vida mas matam o coração e a alma. Hoje estou neste comprimento de onda. A pensar na importância que os olhares têm. Eu, que sou uma pessoa cheia de palavras e que adoro este tipo de expressão, sou uma franca apreciadora de olhares. Não só de olhares como também de todo o conjunto de formas não verbais de comunicarmos uns com os outros. Da mesma forma que o nosso subconsciente e o nosso coração são muito mais inteligentes que o nosso cérebro e que a nossa racionalidade, o não verbal expressa muito mais sinceramente o que o outro está a pensar ou a sentir. E o olhar é majestoso nesta forma de comunicar. Penso que existem olhares que salvam e olhares que condenam. E não são necessárias quaisquer palavras a acompanhar o que se diz com os olhos. 
Neste momento tenho os pensamentos a mil à hora (o que não é difícil, tratando-se de mim). E penso nestas coisas dos olhares. Da importância que tem olharmos os outros, olhos nos olhos, de igual para igual. S…

Antíteses e negócios

Recebi uma reclamação por andar a escrever pouco. Uma das minhas queridas amigas, leitora fiel das minhas escrevinhices, disse-me que estava com saudades de ler as minhas coisas. E tem razão. Ultimamente tenho escrito pouco. E isto porque só me apetece escrever mais do mesmo: saudades, saudades, saudades. Também deve ser aborrecido, para quem lê, andar a ler a mesma coisa, uma vez e outra. Até a mim me enjoa escrever sempre sobre o mesmo tema. O problema é que só me apetece despejar estes assuntos. Se isto fosse um fadinho, diria que já tenho saudades de saudades não ter! Já tenho saudades de escrever sobre alegrias e coisas muito bonitas. Daquelas que também fazem parte da minha essência. Mas esta fase tem sido assim um bocadinho difícil de descascar. Ando aqui numa luta comigo própria para não me deixar ir na melancolia, para não hibernar, enfiar-me no meu casulo e desistir do que tantas saudades me causa. É uma luta que se vai travando diariamente. E vou dizendo, não desisto hoje, …