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Efeito bumerangue

Sempre que me acontece um episódio menos bom, reflito sobre como insistimos em perder tempo com coisas que não valem a pena. Que não ajudam ninguém. Que não trazem alegria. Sempre que não sou capaz de fazer as melhores escolhas para ser feliz e fazer os outros felizes à minha volta, reflito sobre o assunto. E parece-me uma perda de tempo tudo aquilo que não nos enriquece como pessoas. E um momentito de prazer pode ser suficiente para nos enriquecer. Sempre que sentimos uma gotinha de alegria, já estamos a amealhar. Não é preciso pensarmos em grandes coisas ou em grandes feitos. Bastam as coisas que nos causam alegria. O que nos dá prazer, o que nos faz feliz, o que nos dá luz e bem-estar. E não leiam estas palavras pensando que há um certo egoísmo subliminar. Não há. Acredito piamente que não conseguimos contribuir para a alegria dos outros e a sua felicidade se não formos felizes primeiro. O primeiro trabalho estará sempre em nós próprios. Sempre de dentro para fora. Se eu me sentir bem comigo própria consigo estar melhor com os outros. Estas coisas que se falam de forma banalizada são, de facto, muito importantes. Todas as gotinhas de bem-estar encontradas onde for e da forma que for, contam. É como um mealheiro onde se vão creditando fichinhas de amor-próprio e de dádiva. 

Estes mealheiros rendem muito. Também acredito firmemente que tudo aquilo que enviamos de dentro para fora retorna à base, tal e qual um bumerangue. As boas energias que oferecemos ao mundo, voltam para nós com juros e graças. E livres de impostos! É só ganhar. E nestas coisas da espiritualidade e do coração, quanto mais possuímos, mais nos será dado. A abundância vem sempre na quantidade que conseguimos gerir. O Céu é muito generoso! Na verdade, é tão generoso e tem tanta confiança em nós que nos dá sempre um bocadinho mais do que aquilo que somos capazes de abarcar. Para termos potencial de crescimento. Para conseguirmos chegar ainda mais longe. Maravilhoso, não é?

Na verdade, este tipo de milagres espirituais e emocionais, os tais do coração, acontecem a todo o momento. É só termos os olhos abertos (os da alma) para podermos ver. Esta abundância é derramada em cascata. É preciso saber receber. Como alguém que me é muito querido diz, o busílis da coisa está no saber receber, com toda a simplicidade. E com toda a pureza, acrescento eu. Há por aí tanta falta de amor, tanta falta de amparo e de mimo. E há quem queira oferecer. Quem tenha montes dele para distribuir. Mas estas coisas tão preciosas só podem ser dadas se os outros quiserem efetivamente receber. Simplesmente receber. E este encontro entre quem tem para dar e quem quer receber, nem sempre é fácil. É preciso alinhar canais. É preciso rasgar caminhos. E rasgar caminhos, por vezes dói. Ou expõe-nos. E a exposição ao outro, tal e qual somos, é uma coisa difícil de descascar. Talvez descascar seja efetivamente a palavra correta. Tal e qual como um fruto, temos que nos despir das nossas cascas externas, protetoras e politicamente corretas para podermos andar como deve de ser nesta troca maravilhosa de amores e coisas boas. Se teimamos em manter a casca, a coisa não flui como deve. Fica morna, pela rama ou pela metade. Cada um fará como for capaz, claro está. Mas eu digo que vale a pena tentar com muita força. E ter muita paciência e paz no coração. 

A paciência e a paz ajuda-nos a lidar com os nossos timings e com os timings dos outros. Estes tempos que levam as pessoas a encontrar-se nos pontos de interseção das rotas de cada um, nem sempre são fáceis de gerir. Mas a vida e os encontros não são fáceis. São maravilhosos mas não são fáceis. Muitas vezes são tirados a ferro e desenhados a fogo. Mas vale tanto a pena! Criam uma marca, tão profunda e tão bonita quando acontecem…deve ser esta a forma de tatuar a alma! Com o encontro intenso entre rotas. Com alegria do oferecer e a do receber. Se tudo isto funcionasse em circulo virtuoso, a Terra era capaz de sair da sua habitual gravitação e movimento só por tanta elevação das almas! 

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