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Amor maior

Gostaria de falar de liberdade. Gostaria de falar sobre o conceito, o valor da liberdade que temos em cada um de nós. Dos valores que mais aprecio. A liberdade, como todas as coisas verdadeiramente especiais, vem de dentro. Do coração. Do fundinho da nossa alma. Porque a alma é verdadeiramente livre. E cada um de nós nasce fantásticamente livre. Depois, ao crescer, se verá se se deixa ou não aprisionar. 

As prisões que criamos têm correntes, barras de ferro, arames farpados e mais um conjunto de grilhões que colocamos a nós próprios ou que deixamos que os outros e o mundo nos coloquem. Ser livre é difícil!

Ser livre é poder escolher. E poder escolher é uma das graças mais sagradas que Deus nos deu. O chamado livre arbítrio. Cada um de nós tem na sua mão a possibilidade, o poder, de escolher o caminho. De errar e voltar a tentar, sem sentir o peso da culpa ou do julgamento. Esta é uma liberdade suprema. Na verdade, a culpa, o pecado e o julgamento são conceitos criados por nós, homens e mulheres. Temos esta tentação tão grande de culpar, de julgar e emitir um juízo de valor sobre tudo e todos, incluindo nós próprios... é uma coisa impressionante! 

Deus e o céu não julgam, não culpam, não ajuízam. Ajudam, amparam, enviam situações que nos ajudem a aprender, a experiênciar, a ver o que não se consegue assim às primeirinhas. Deus e o seu amor é altamente libertador: ama e pronto! Porque Ele tem o tempo da eternidade para nos ver e ajudar a tornarmo-nos melhores pessoas e, por conseguinte, melhores almas. Almas mais completas e preenchidas. Quantas vezes penso que nós não conseguimos atingir o quão é importante é esta frase: ama e pronto! Tão simples, tão profunda e tão libertadora. Tal como Jesus Cristo dizia: ama e faz o que quiseres! É verdade, nada se pode fazer errado por amor. O amor não julga, não critica, não prende, não aprisiona, não domina, não condiciona. O amor aceita. O amor é dádiva e partilha. Não exige, oferece. Não restringe, dá asas. Não obriga, agradece. O amor e a liberdade deveriam andar sempre juntinhos!

Quantas vezes pensamos que liberdade é fazer aquilo que nos dá na real gana! Não é verdade...então e a liberdade dos outros? Por isso é que o amor é o par perfeito da liberdade. Quando amamos verdadeiramente, a liberdade também é partilhada, respeitada e cultivada. Porque o amor é também o profundo respeito pelo espaço, pelo ser e estar do outro que é amado. Mesmo quando não o compreendemos ou entendemos as suas necessidades, o seus mundos, os seus medos, as suas ideias e sentimentos. Amar em liberdade é amar independentemente da razão. Independentemente da compreensão. Independentemente dos preconceitos, ou dos estereótipos. Dos grilhões, das algemas, das correntes e das prisões. Independentemente do que supostamente deveria ser, ou deveria fazer, ou deveria encaixar nesta ou naquela gaveta social, nesta ou naquela categoria criada por sabemos lá quem. Independentemente de parecer bem ou mal, da opinião do mundo e, às vezes, até da nossa própria opinião. Somos os maiores críticos de nós próprios. Deveríamos ser os nossos maiores admiradores e amantes. 

Este amor livre é um amor de paz. De serenidade. De doçura. Também contemplativo.

Que coisas tão difíceis que eu tenho a mania de escrever, não é? São difíceis porque são valores tão especiais, tão latos e que podem assumir tantas formas diferentes que se perdem na subjetividade de cada um. Mas a subjetividade também é um cantinho pequenino da liberdade. A interpretação e vivência de cada um de nós é única. O que importa é tentarmos cada vez mais sermos livres, amantes e pacificadores. Em pequeninas escolhas diárias, de acordo com a nossa essência e não porque nos dizem que é melhor assim ou assado. Também a este propósito, digo-vos o que vou repetir mil vezes: o segredo é ouvir o nosso coração. O nosso coração é a nossa parte mais sagrada. Onde está Deus. E Deus sabe o que é melhor para nós. E diz-nos o que nos faz mais livres. Mais amorosos, mais em paz. É só não sermos teimosos. Mas, se formos teimosos e contra o nosso coração porque ainda temos muitas correntes e arames farpados, Deus estará sempre no mesmo lugar, com a mesma perseverança. Com a sua infinita bondade e paciência, acompanha-nos no caminho, e abraça connosco a nossa escolha. Não julga. Ama. Liberta. O céu não obriga. Ama. Ama incondicionalmente, em paz e em liberdade, independentemente das nossas escolhas. Há amor maior?


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