Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Já 20 anos?

Hoje vou escrever para a minha filha mais velha. Daqui a nada está a fazer 20 anos! Nem consigo acreditar! O meu botão de flor, a fazer 20 anos! E apetece-me centrar a conversa de uma maneira diferente da habitual. Estou sempre a dizer como deve ser, a corrigir, a sugerir coisas, a lembrar disto e daquilo, a dar opinião de mãe, etc. Passo a vida a querer enfiar-lhe pela goela abaixo, como quem enfia um xarope, os tais valores que me parecem essenciais e fundamentais para que seja um bom ser humano. Estou sempre neste registo de mãe a fazer "mãezisses". Hoje apetece-me fazer uma abordagem diferente, até porque ela merece. Hoje vou centrar a conversa em mim. Não lhe vou dizer como deve de ser. Vou-lhe dizer como foi e como tem sido.
O primeiro filho é sempre aquele que nos muda a vida de uma forma extraordinária. É o experimentar de um amor maior, impossível de definir e de quantificar. Passamos a aplicar com muita precisão a teoria da relatividade. Depois do primeiro filho, tud…
Mensagens recentes

O estado da arte

Os últimos tempos têm sido "diferentes". Tenho andado em processo de cura. Pedi muito ao Criador que me abençoasse com o dom da cura. De todas formas que fossem necessárias. Caiu-me a ficha sobre a importância deste processo.  Em primeiro lugar, para mim própria. A primeira obrigação que tenho comigo própria é tratar da alma, da psique e do corpo. O primeiro passo neste processo foi o de perceber que precisava de cura. Foi preciso ter a consciência de que tinha feridas, dores e sofrimentos. Foi necessário dar aquele grito libertador que nos ajuda a mudar a vida, a interna e a externa. Por vezes, as dores e as feridas fazem-nos companhia, habituamo-nos a elas e já fazem parte de nós. Fazem parte da nossa mobília. E vai-se ficando exausta sem se dar por isso. Esta exaustão vai aparecendo de mansinho, como uma névoa suave e vai tomando conta de nós, devagarinho. Quando damos por isso, estamos capazes de nos mandarmos ao chão, com vontade de desistir. Os pensamentos e os sentimen…

Ser tola

Ele há dias em que me sinto a pessoa mais tolinha que o Criador deitou ao mundo.  Considero-me uma mulher inteligente mas sou muito pouco esperta. Alguém que se cruzou na minha vida há uns anos, disse-me esta pérola: "(...) és uma mulher muito inteligente mas muito pouco esperta (...)". Na altura fiquei podre com a observação. Hoje em dia, dou a mão à palmatória, e parece-me que a tal pessoa estava cheia de razão. Esperteza, de facto, eu não tenho nenhuma. Particularmente porque sou uma pessoa crédula. Acredito no que me dizem. Não sou desconfiada. Não passo a vida a pensar que me vão fazer a folha e muito menos penso que me estão a mentir ou a manipular. Normalmente escolho acreditar no que me dizem. Escolho ver o melhor que as pessoas têm. Parece-me que existe sempre a possibilidade de as pessoas mudarem para melhor. Acredito que se tratarmos as pessoas como se elas fossem melhores do que aquilo que realmente são, estas terão um potencial de desenvolvimento no bom sentido. …

Dentro e fora

Profissionalmente, passo a vida a dizer que a aprendizagem é sempre um processo de relação. Aprende-se em relação com o outro ou em relação a determinada referência. Isto no que diz respeito à nossa face mais mundana e comum. No que diz respeito à nossa alma, e às nossas aprendizagens evolutivas, a coisa pia mais fininho. Aliás, a coisa pia que se farta, de uma forma agudíssima. Aprender dói. Pia fino e dói. Também nesta vertente evolutiva, nós aprendemos em relação e na relação. Existem dois vetores distintos que se complementam de forma extraordinária. Como tudo na vida, a dualidade também está presente nestes processos. Para se evoluir, é tão importante darmos um mergulho profundo para dentro, no nosso interior, como é importante ir navegando a vista, em relação ao que nos vai aparecendo no mundo exterior. É tão importante o mundo de dentro como é o mundo de fora. São as duas faces da mesma realidade, a nossa. A de cada um. Na minha relação com o outro eu entendo muita coisa em mim…

As 19 coisas mais importantes para ensinar às crias

Hoje apetece-me muito deixar escrito, para luas que hão-de vir, todas as coisas que gostaria de ter ensinado às minhas crias. Poderia ser uma ensinadela por dia, mas não sei se tenho 365 coisas para ensinar. Não faço a mínima ideia do que é que tenho para ensinar nem do quanto tenho que o fazer. É difícil a sua quantificação. Quando cada uma delas estava para nascer, a maior graça que pedi a Deus, para ambas, foi que tivesse um bom coração. As mães pedem sempre um rol de graças: que os bebés tenham saúde, que sejam perfeitinhos, bonitos, inteligentes e mais uma infinidade de coisas boas. Como sou uma pessoa prática e procuro ser lúcida, no final da conversa com o Criador, resolvi o assunto pedindo a maior das qualidades que um ser humano pode ter: um bom coração, cheio de compaixão, de justiça e de amor. E o Pai do Céu ouviu-me. Com a Graça de Deus, as minhas crias têm bom coração. Mesmo tendo personalidades completamente diferentes, têm um coração muito maior que elas próprias. Estou…

Liberdade a mais

A liberdade pode ser desconcertante. Temos tanta, tanta liberdade, que por vezes nos perdemos nela. Quantas vezes é mais fácil ter alguém que nos diga o que fazer, que nos oriente. Ou até que seja ditador e que nos dirija. É sempre mais fácil ter uma referência para contrariar. É fácil ter que lutar contra qualquer coisa externa. O problema é quando temos que lutar contra qualquer coisa interna. Quando o universo conspira para que mergulhemos, bem fundo, no nosso interior, é uma chatice. Lidar com este universo paralelo, o nosso, o de dentro, pode ser muito difícil e doloroso. Ter que alinhar a nossa cabeça  com o nosso coração. Um diz uma coisa e outro diz outra. Parecem duas galáxias em desalinho. Às turras. O engraçado da coisa é que quanto mais procuramos as respostas fora de nós, no ambiente envolvente, mais o universo nos impele para o nosso interior.  Obriga-nos a ouvir a sinfonia que vai cá dentro. Às vezes é uma sinfonia muito desafinada, em que cada um toca para o seu lado. …

Bichesas

Pessoas a serem pessoas. Preferia as pessoas a serem animais. E não é de forma depreciativa, como se deve calcular. As pessoas a serem pessoas causam-nos muitas desilusões, muitas dores e dão-nos muito trabalho. As pessoas a serem pessoas são muito complexas, cheias de densidade e muito mais primitivas do que têm a pretensão de ser. Funcionam a toque de medo, de orgulho, de quem vence quem, de quem é o mais poderoso, de quem é o mais qualquer coisa. Funcionam e fazem funcionar a toque de caixa. As pessoas a serem pessoas largam setas em todas as direções, são invejosas, insatisfeitas e dissimuladas. Esta é parte que me aborrece mais ainda. As pessoas a serem pessoas são capazes de fingir o que não são e o que não sentem. Pensam uma coisa e dizem outra. Sentem uma coisa e fazem de conta que sentem outra. As serpentes são meninas de coro comparadas com as pessoas a serem pessoas.
A arte da dissimulação é uma arte que não domino e que tenho muita dificuldade em compreender. Tira-me do sér…